Com alta de 50%, número de jogadores da Série A com Covid-19 já soma 341 desde o início do ano.

Quantidade de atletas infectados teve um aumento significativo em novembro e segue o mesmo cenário no Brasil, que registra aumento de casos em grande parte das cidades. Veja gráficos

Por Roberto Maleson — Rio de Janeiro.

Os clubes da Série A têm enfrentado um adversário invisível e que tem impactado diretamente nas escalações dos times a cada partida: o coronavírus. Desde a retomada do futebol, as equipes brasileiras passaram a seguir uma série de protocolos e recomendações para voltar com as atividades, mas isso não impediu que os atletas evitassem a contaminação pelo vírus.

ge compilou todos os casos divulgados de jogadores positivos para coronavírus, independentemente do nome do atleta ter sido revelado ou não. Vale destacar ainda que nem todos os clubes anunciaram todos os casos positivos no elenco. Feita a ressalva, os clubes da Série A já acumulam 341 casos divulgados desde o início das testagens, realizadas a partir de maio e junho.

Em parceria com o economista Bruno Imaizumi, a reportagem comparou os casos de Covid-19 nos elencos da Série A com a média móvel de infectados no país, com base em dados do Ministério da Saúde.

O que pode-se observar no gráfico abaixo é que o número de positivos no futebol acompanha o cenário no Brasil. Vale fazer uma outra ressalva: houve um grande número de casos divulgados em maio e junho. Porém, os clubes relataram que muitos jogadores já estavam recuperados da Covid-19, sem determinar exatamente quando tiveram a doença. Logo, a concentração de casos em maio e junho não reflete 100% a realidade da cronologia dos infectados neste período.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Veja a linha do tempo de casos no Brasil e compare com os contaminados na Série A:

Número de casos de coronavírus na Série A em comparação aos casos no Brasil — Foto: Espião Estatístico / Bruno Imaizumi

Número de casos de coronavírus na Série A em comparação aos casos no Brasil — Foto: Espião Estatístico / Bruno Imaizumi

De acordo com o Imperial College, de Londres, no Reino Unido, a taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) para esta semana no Brasil é a maior desde maio. O relatório mostra que o índice está em 1,30. Isso significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130 pessoas.

Esta transmissão em alta no país também teve reflexo direto no futebol brasileiro. Em outubro, o número acumulado de casos positivos era de 227. Em novembro, houve um aumento de 50%, com 114 novos casos divulgados neste mês até o momento.

Evolução mensal de casos de covid divulgados nos elencos da Série A — Foto: Espião Estatístico / Bruno Imaizumi

Evolução mensal de casos de covid divulgados nos elencos da Série A — Foto: Espião Estatístico / Bruno

Em entrevista ao Globo Esporte de São Paulo, o presidente da Comissão de Médicos da CBF, Jorge Pagura, disse que foi feito um comunicado aos clubes para reforçar a necessidade de seguir o protocolo ao notar um aumento de casos no país no começo de novembro.

– Nós reiteramos que fôssemos muito rígidos com a aplicação do protocolo porque enquanto a gente não tem vacina nós só temos uma arma, que é obedecer o protocolo. Isso nos preocupava muito porque a gente tinha as notícias, com praias cheias, bares cheios, parques cheios e assim por diante. Nós prevenimos, não fomos pegos de surpresa. O que foi pego um pouco de surpresa é que clubes que vinham com muito controle de repente tiveram um surto.

+ Entenda algumas das recomendações do protocolo da CBF

Nas últimas semanas, houve surtos de casos no Athletico-PRno Atlético-MGno Coritibano Palmeiras e no Santos. Outros clubes, como Goiás, Flamengo, Fluminense e Vasco também tiveram contágios grandes em intervalos curto de tempo.

De acordo com estudo divulgado pela CBF, não há evidências de que a transmissão tem ocorrido dentro de campo. Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr. Alberto Chebabo, o problema é todo o ambiente que envolve o futebol.

– Eu concordo com o Pagura quando ele fala que a contaminação não se dá dentro do campo. Mas a atividade de futebol não acontece só dentro do campo. A atividade de futebol envolve treinos, viagens e hotel. Vai ter esse risco. A transmissão, em sua maioria, ocorre dentro do clube. A gente viu surtos ocorrendo dentro do clube. É óbvio que para ter transmissão dentro do clube, alguém se infectou fora para trazer o vírus para lá. Então, o jogador ou a própria comissão técnica estão expostos em todos os ambientes.

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Samuel Moreira da Silva

http://www.kadaesportes.com.br

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